Características e prevalência das feridas crónicas no ACeS Pinhal Litoral

Rui Manuel Passadouro da Fonseca

Abstract


Introdução: As feridas são um problema de saúde pública, com forte impacto na qualidade de vida. Consideram-se crónicas as que evoluem durante mais de seis semanas. As feridas crónicas mais frequentes são as de pressão, as vasculares e as de origem diabética, sendo as venosas cerca de 80% das vasculares.

O presente estudo tem como objetivo caracterizar as feridas crónicas dos doentes da área de influência do ACeS PL.

Material e métodos: Trata-se de um estudo descritivo e transversal, com uma amostra de conveniência constituída pelos doentes com ferida crónica, identificados pelos profissionais de enfermagem, quer no domicílio, quer nas salas de tratamento dos centros de saúde.

Resultados: A prevalência de feridas crónicas na população estudada é 0.84/1000, sendo 1.01/1000 no sexo masculino e 0.69/1000 no feminino (p<0.05). Os doentes com mais de 80 anos apresentam uma prevalência de 5.68/1000, que é mais elevada relativamente aos mais novos (p<0.05). Em relação ao tipo de feridas, as de causa vascular são as mais frequentes (36%) e, destas, 77.7% são de origem venosa.

Discussão e Conclusão

A taxa de prevalência de ferida crónica é ligeiramente inferior à encontrada noutros estudos que utilizam a mesma metodologia, sendo mais elevada nos homens e nas idades mais avançadas. Considera-se excessiva a proporção de úlceras de pressão das categorias III e IV, verificando-se algumas inconformidades no diagnóstico e tratamento das mesmas. Por isso, foi sugerida a criação de um grupo multidisciplinar de consultadoria e formação em feridas no serviço de saúde em estudo.


Keywords


feridas; infeção; antibioterapia

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DOI: http://dx.doi.org/10.29021/spdv.73.4.449

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ISSN 2182-2395 | eISSN-2182-2409

 

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